domingo, 20 de abril de 2008
Sem fotos....
Estou em viagem ao sul do Brasil, na fronteira com a Argentina. Tem um parquinho aqui desses bem pequenos mesmo...
Eu tirei umas fotos e passei pro computador, mas elas estao muito grandes e aqui nao tem nenhum programa de edicao que eu possa usar para diminui-las.
Mas prometo que assim que voltar farei posts em dobro com textos, fotos e trip reports bem interessantes!
grande abraco e bom feriado a todos!
domingo, 13 de abril de 2008
Diamond Lights
Para mim, parque de diversões sempre esteve ligado a luz. Não, não estou falando de uma luz espiritual nem nada parecido, não vou entrar nesse mérito. Estou falando de luz mesmo: lâmpadas.
Luzes coloridas. Pra mim são dois os tipos de luz que me marcam muito. As tradicionais luzinhas em forma de diamante, que costumam piscar muito, e as luzes fluorescentes, a famosa "luz fria", coloridas, muito comuns em parques pequenos.
Uma imagem muito marcante na minha mente é a de uma lanchonete de parque móvel, um trailler, com um telhadinho na frente, sobre algumas mesas e tudo iluminado por luz fria, no início da noite.
Aliás, o início da noite, aquele 1 segundo depois do pôr do sol, quando o céu está mudando de laranja para o escuro da noite, é o meu momento favorito num parque. Não existe nada mais bonito do que as luzes acendendo naquele momento em que você ainda consegue enxergar na penumbra. Olhar para uma montanha russa com o pôr do sol por trás dos trilhos...
E você corre para aproveitar o tempo que ainda resta do dia. E o mundo ganha novas formas com as luzes piscando. E você para para comer um cachorro-quente numa barraquinha iluminada por uma luz fria suave. Um momento de pausa, um refugio, em meio ao turbilhão de adrenalina, de coisas girando.
E, depois do descanço, você volta para o universo paralelo onde não existem problemas. Só diversão e luzes coloridas piscando....
Hoje (13 de abril) é o Dia do Parque de Diversões. Parabéns a todos os parques do Brasil, todos os funcionário, diretores, colaboradores e - por que não? - todos nós entusiastas!Peguei as fotos em sites na internet há bastante tempo e não lembro os endereços. Peço desculpas aos fotógrafos por não colocar os créditos e agradeço por me deixarem usá-las.
Um bom final de semana a todos.
Lucaz Ferraz
sábado, 5 de abril de 2008
On The Top of The World

Já viram o filme "Sociedade dos Poetas Mortos"? Tem a clássica cena em que os alunos sobem nas cadeiras para ver o mundo por um ângulo diferente.
Eu tenho essa necessidade. Não consigo ficar vendo as coisas sempre pelos ângulos convencionais.

Quando eu olho para uma montanha russa, eu não vejo apenas um brinquedo de parque de diversões, vejo anos de trabalho, enxergo os traços do projeto, enfim, mil coisas que não vêem ao caso aqui, ou vão me taxar de louco (mais do que já me consideram..rs).

Lembro-me da primeira vez que quis subir numa montanha russa foi (pra variar) no Tivoli Park. Eu olhava aquele colosso amarelo e ficava imaginando qual seria o tamanho real daqueles trilhos, quando vistos bem de perto. Me imaginava fazendo o percurso do trem sem trem, escalando os trilhos. Me perguntava qual seria a sensação de ficar em pé no topo daquela escadinha na primeira subida....

Quando reencontrei os brinquedos do Tivoli Park, 6 anos após o seu fechamento, me deparei com a Whirlwind desmontada. tirei várias fotos e subi nos trilhos em algumas delas. A partir daí, não parei mais...
A coisa virou uma mania, uma obsessão. Sempre que posso, subo nos trilhos das montanhas. Mas Lembrem-se de ter autorização dos parques e só fazer isso com a atração fechada! É extremamente arriscado subir no trilho de uma montanha-russa se ela não estiver com o painel de controle devidamente lacrado!

Um amigo de Recife, o Fernáutico, teve essa semana o prazer de subir nos trilhos da Whirlwind com ela montada. É verdade, eu subi primeiro, mas eles estavam no chão, não conta muito...rs
Entrei no seu orkut e encontrei umas fotos bem legais que ele tirou de lá de cima. Mas, curiosamente, a foto que mais me passou a sensação de "parque de diversões", foi uma tirada de cima do tobogã, com o Fernáutico e um amigo e a Super Tornado (novo nome da whirlwind) ao fundo.

Não sei porque, mas essa foto tem cara de parque. O tobogã, a MR da Vekoma, não sei, tudo junto deu um "ar" de parque.....
Fernáutico, obrigsupado pelas fotos, ok? Espero em breve estar aí para andarmos juntos no primeiro trem que rodar a Super Tornado!
Para conferir as fotos do Fernáutico, vá em www.fotolog.com/mirabilandia.

Forte abraço, bom final de semana e muita montanha russa pra todos nós!
Abs,
Lucaz Ferraz
terça-feira, 18 de março de 2008
A Fênix
Alguma vez na vida você já se deu por vencido? Eu não costumo fazer isso e garanto que vale a pena seguir em frente.
Em 1988 andei pela primeira vez na Montanha Espacial. Na época a melhor montanha russa do país. Uma Vekoma modelo Whirlwind que ficava no Tivoli Park, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.
A Montanha Espacial, virando o mundo de cabeça pra baixo no Tivoli Park
Foto: (Gustavo Queiroz)
Whirlwind. Um nome um pouco difícil de pronunciar. Sigfica “Redemoinho de vento”.
Tem esse nome por parecer um redemoinho, quando olhada de alguns ângulos.
O tempo passou e procurei saber mais sobre ela e percebi que era perfeita: compacta, cabia em qualquer parque, por menor que fosse, vinha com estação pronta, virava duas vezes de cabeça pra baixo e não exigia obras de fundação!
Seguem os dados:
Modelo: Whirlwind MK 1200
Fabricante: Vekoma (Holanda)
Altura: 19,5m
Extensão: 350m
Inversões: 2 (saca-rolhas)
Velocidade: 60Km/h
Wierbelwind, no Fort Fun, Alemanha (Foto: Stefan A. Michelfeit)
Descobri que foram feitas 7 iguais no mundo.
As atuais localizações são:
1. Boraca (Parque de Diversiones Dr. Roberto Ortiz Brenes, Costa Rica) desde 2005
histórico: Playland Park, Nova Iorque, de 1984 a 1993
Knoebels Amusement Park, Pensilvânia, de 1993 a 2005
2. Korkkiruuvi (Särkänniemi Amusement Park, Finlândia) desde maio de 1987
3. Super Tornado (Hollywood & Safaripark Stukenbrock, Alemanha) desde 1981
4. Tornado (Bosque Mágico, México) desde 2001
histórico: Bobbejaanland, Bélgica, de 1981 a 1999
5. Super Tornado (Mirabilandia, Brasil) em construção, prevista para abrir em julho de 2008
histórico: Clacton Pier, Inglaterra, de 1983 a 1985
Tivoli Park, Rio de Janeiro, de 1985 a 1995
Luna Park, Rio de Janeiro, de 1995 a 2006
6. Whirl Wind Looping Coaster (
histórico: Magic Land, Tailândia, de 1982 a 2000
7. Wierbelwind (Fort Fun Arbenteurland, Alemanha) desde 1982
"Nunca deixe de acreditar em seus sonhos!"
Uma delas foi a primeira montanha russa com looping que eu andei....
E foi nela que começou toda a minha paixão.
Andei de montanha russa pela primeira vez aos 2 anos de idade, com a minha mãe, numa montanha russa infantil, de madeira, no Simba Safari, em São Paulo.
Mas sempre olhava a Montanha Espacial no Tivoli e ficava babando: Ela virava de cabeça pra baixo! Mas eu não podia andar, era pequeno demais....
E, desde que eu consigo me lembrar, eu olho pra ela e sonho com ela, e desenho ela e... tantas coisas passam pela minha cabeça.
E, de tanto olhar pra ela, meu jeito de ver as coisas mudou. Não vejo mais um brinquedo de parque de diversões. Hoje em dia, olho para uma montanha russa e vejo as linhas do projeto que formaram os trilhos, vejo os vetores das forças envolvidas, os erforços nos suportes...
Vejo meses e meses de trabalho, vejo engenheiros e, mais, vejo arte.
E quando o tivoli fechou, me vi morrendo um pouco. E, quando encontrei a Montanha Espacial, tão fantástica, jogada no chão de um terreno, apodrecendo em meio ao mato, foi como ver uma pessoa amada convalescendo, moribunda.
Senti um mixto de felicidade por, depois de seis anos de busca, reencontrar os brinquedos do Tivoli, mas uma dor profunda por pensar que ela jamais operaria novamente. Pior foi quando ouvi de um engenheiro da Vekoma que ela estava velha demais para ser recuperada, que não valia a pena financeiramente.
Então talvez o dia mais feliz da minha vida chegou: O Mirabi me pediu para colocá-los em contato com os donos da Montanha Espacial. E recebi a grande notícia: O Mirabilandia a recuperaria.
Dito e feito: dois anos de reformas e restaurações. O trem foi para a Itália e voltou todo reformado, os sistemas hidráulico e elétrico totalmente refeitos e os trilhos jateados com areia, restaurados e repintados. Nova em folha.
Os trilhos da estação da Super Tornado no Mirabilandia. Meu coração dispara...
(Foto: Fernando Veras)
Hoje, ao ver as fotos dela se erguendo novamente, não posso deixar de pensar na Fênix, o pássaro que volta à vida das cinzas.
E não posso deixar de pensar que vale a pena acreditar em sonhos. Quantas vezes sonhei com ela aberta novamente! Quantas vezes me imaginei andando nela novamente!
E agora, cada dia que passa, é um dia que fico mais perto de realizar este sonho!
Então fica aqui o meu conselho: nunca deixe de acreditar! Lute pelos seus sonhos!
Se eu simplesmente gostasse de montanhas russas, mas não corresse atrás dos meus sonhos, eu não teria reencontrado o Tivoli e não teria contato com o Mirabilandia nem com o pessoal do Beto Carrero (que também teve participação fundamental no processo).
Foi por eu lutar pelos meus sonhos que este ano vou andar novamente na montanha russa onde o meu sonho começou.
“A Sorte Favorece os Destemidos”
(Alexandre, o Grande)
Meus agradecimentos especiais a (ordem alfabética):
Sr. Antônio (Luna Park)
David Peixoto (Mirabilandia)
Fernando Veras (Mirabilandia)
Gabriela Orfei (Tivoli Park/ Luna Park)
Hugo Loth (Beto Carrero World)
A Montanha Espacial se ergue das cinzas. Como todo renascimento,
um novo batismo: Super Tornado, para mostrar que veio para ficar.
(Foto: Fernando Veras)
Veja mais fotos em www.fotolog.com/mirabilandia
domingo, 24 de fevereiro de 2008
A Beleza Está Nos Olhos do Observador

Recentemente estive no Terra Encantada e, como sempre, ao entrar no parque, senti uma tristeza profunda.
Todas as vezes que vou lá, me pergunto: “Porque mesmo eu venho aqui?”. E, no entanto, logo após andar na Monte Makaya, eu me lembro: “pela Makaya”.
Dessa vez fui encontrar um casal de amigos canadenses que veio ao Rio só para andar nela. Como me atrasei, acabei entrando só para buscá-los e não andei na Makaya. Ou seja: Fiquei só na tristeza. Olhava aquela arquitetura magnífica, cada dia mais depredada e sentia meu coração apertado: Quão fantástico este parque poderia ser... E a inevitável pergunta: “O que será disso no futuro?”.
Até que poucos dias depois recebi um link para uma página de fotos do fotógrafo Wladimir Fernandes Junior, onde ele dizia: “(...)todo parque de diversões, mesmo em condições precárias, tem sua magia(...)”.
E, olhando as fotos, eu percebi que ando olhando pras coisas erradas... Tenho olhado tanto pro lado técnico dos parques e venho reclamando tanto de como eles poderiam ser melhores, que tenho deixado passar a beleza deles.
Afinal, não é lindo o Terra Encantada? Mesmo em péssimas condições não foi lindo um dia? Não é colorido o Playcenter, com sua cara típica de parque urbano? O Playcenter me lembra, de alguma forma, o La Ronde, em Montreal. Assim como o Tivoly Park me lembrava o Playland de Vancouver, no Canadá.
O Hopi Hari me lembra o Six Flags Great Adventure e o Beto Carrero World consegue ser único e encantador!
Já ouvi falarem mal do Hopi Hari porque dá pra ver o fundo das atrações sem tematização. Já falaram mal do Beto Carrero World porque tinha poucas atrações. Disseram que o Playcenter estava mal cuidado e que o Terra Encantada era “um lixo”.
Mas já pararam pra olhar o pôr-do-sol na rua principal do Hopi Hari, com os artistas fazendo malabarismos na frente da La Tour Eiffel? Já notaram que o Terra Encantada trouxe a maior montanha russa que este país já viu? E alguém percebeu que o Beto Carrero acabou de comprar uma montanha-russa invertida?
"O grupo de amigos e amantes da fotografia, Foto RJ, se encontrou no parque temático Terra Encantada para registrar o seu quase total abandono, mas nos surpreendemos quando percebemos que haviamos fugido ao propósito inicial, porque todo parque de diversões, mesmo em condições precárias, tem sua magia e era isso que estávamos registrando."
Perceberam como o Playcenter está colorido e arborizado? Notaram que está prestes a inaugurar sua sexta montanha russa?
Alguém notou que o Mirabilandia está sempre bem cuidado e traz atrações novas a cada ano?
Nós estamos sempre esperando tanto o pior, que não conseguimos ver as coisas bonitas. Já viram o pôr-do-sol no Terra Encantada com as luzes do chapéu mexicano se acendendo? E a Montezum iluminada toda colorida à noite?
Já viram o Acqua Show no Beto Carrero World?
E qual foi o parque que nos trouxe um show com baleias? O Playcenter, lógico.
Então, meus amigos, fica aqui o meu apelo: não fechemos os nossos olhos. A gente não é burro-de-carga pra olhar somente pro nosso próprio nariz. A gente pode ver o que existe além.
Como dizem os norte-americanos: “There is more than meets the eyes” – “Há mais do que os olhos podem ver”.
Façamos como no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Subamos nas mesas e olhemos o mundo por um ângulo novo. Vamos tentar ver a beleza das coisas. Ver, não só o que o parque é hoje, mas o quanto ele cresceu, o quão fantástico ele será um dia.
Agora que o carnaval passou e a vida começa de fato, um feliz 2008 pra você.
Lucas Ferraz
P.S.: Obrigado Wladimir Fernandes Junior, não só pelas fotos, mas por me mostrar um novo jeito de ver o mundo.
Vejam as fotos do Wladimir em http://www.pbase.com/wfjunior
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Beto Eterno
O que acontece quando alguém morre? O que acontece com todos que contávamos com ele? Sabemos viver sem ele?
Fui procurar as fotos da minha primeira ida ao Beto Carrero World, em 2005, e não encontrei. Tirei duas fotos com o Beto: uma em São Paulo e outra no parque em que eu aparecia montado no Faísca com o Beto em pé ao lado acenando. A foto está escura, mas eu queria postá-la aqui.
Tinha planos de tirar outras fotos algum dia. E agora? Jamais poderei tirar outra.
Assim como a foto, eu tinha tantos outros planos. Tanta coisa pra dizer e pra perguntar, tanta coisa pra aprender. E nunca terei as respostas e os ensinamentos que queria.
Encontrei o Beto pessoalmente três vezes. Da última vez, eu estava sentado na sala de espera da diretoria na Vila Germânica, quando ele passou para o seu escritório e não me viu. Eu quis ir falar com ele mas não tive coragem.
Sempre quis dizer-lhe o quanto eu o admirava e tudo o que ele representava pra mim. Nunca tive coragem. Sempre tremia calado. Ele falava, eu ouvia e respondia. Agora nunca vou poder dizer pra ele o quanto ele significava pra mim.
Sinto um vazio incomensurável ao escrever estas linhas. Por que eu deixei passar aquela oportunidade?
Desde que eu consigo me lembrar, minha vida é movida por parques. Sempre quis ter o meu parque, criar o meu mundo de sonhos. Sonhos que ocupam todas as minhas noites, que me movem e me fazem levantar todas as manhãs.
E passei a vida toda ouvindo as pessoas me dizerem que era impossível. Já pensei em desistir, em sair do Brasil. E, se continuei aqui, se persisto, é pelo Beto Carrero. Mesmo sem saber, ele sempre me disse: "É possível".
Beto Carrero era o exemplo vivo de que é possível realizar os sonhos. Que é possível seguir em frente e que vale a pena acreditar no Brasil.
A morte de Sérgio Murad me dói como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado, como um sonho que é interrompido. Certas pessoas não deveriam morrer.
E tenho medo do que vai acontecer agora. Quem vai todos os dias olhar se as coisas estão bem cuidadas? Quem vai nos prometer sete montanhas russas ou uma Las Vegas no Brasil? Quem vai, com seu marketing, trazer as maiores e melhores coisas do mundo pra cá?
O Beto deixou um legado, um caminho apontado, uma porta aberta. Temos que seguir este caminho, levar adiante o sonho.
Se o Beto Carrero World parar, quem vai obrigar os outros parques a evoluírem também? O que acontece com a gente sem o idealismo do Beto? Não podemos deixar o sonho morrer!
O dia 1º amanheceu com sol no Rio. Deveria estar chovendo. Assim como eu, milhares de brasileiros choram aquele dia. João Batista Sérgio Murad nos deixou sem que o Brasil compreendesse de fato a sua importância, sua grandeza.
Numa entrevista de 1998, após ser questionado se algum dia havia imaginado a crise pela qual o parque estava passando, ele respondeu: "Achei que fosse ser diferente. Achei que os políticos fossem entender mais rápido a importância do Beto Carrero World. Mas é preciso cultura pra entender. Eu acredito e não desisto. Eu acredito no Brasil e por isso vou continuar investindo."
Eu acredito que é possível. eu me espelho no Beto Carrero e sugiram que todos façam o mesmo. Porque, se você não acredita, não merece estar lebdo este texto.
Acredite, lute, construa e nunca desista, nem nos momentos mais difíceis. Siga o exemplo do Beto Carrero.
"Enquanto houver um sorriso no rosto de uma criança, o Beto Carrero viverá"
Sentindo muita dor, mas nunca deixando de acreditar,
Lucaz Ferraz
domingo, 27 de janeiro de 2008
Beto Carrero Empire
1991 foi um ano, no mínimo, diferente para o Brasil. Didi Mocó e os Trapalhões faziam a alegria das crianças nos domingos à noite e volta e meia tinham a participação do Cowboy Brasileiro, o Beto Carrero. E, para a alegria dessas crianças e esperança de todo brasileiro fã de parques, no dia 28 de dezembro deste ano foi inaugurado o Beto Carrero World que, na época era basicamente um grande circo com algumas atrações ao redor.
Mas o projeto era ambicioso. Alguns não acreditaram, outros tinham certeza que daria certo. O tempo foi passando, algumas coisas foram retiradas, outras acrescentadas. O projeto foi mudando, se adequando à realidade de cada ano que passava.
A realidade economica foi mudando e em 1998 um ‘boom’ de investimentos sacudiu o país. Foram anunciados inúmeros parques, entre eles o Terra Encantada (RJ – 1998) e o Hopi Hari (SP – 1999). Os dois foram grandes sucessos quando abriram, com atrações como a Monte Makaya (montanha russa com 8 inversões), Cabhum (torre de queda-livre) e Montezum (Quinta maior montanha russa de madeira do mundo) e o Beto Carrero World perdeu muito do seu público, mergulhando numa crise que se extendeu até 2002.
Mas não esqueçam que estamos falando do homem que saiu do zero e construiu um império (que em 1998 era ainda um pequeno reino apenas...) onde ninguém acreditava que se podia construir nada que pudesse dar lucro. E ele estava disposto a dar a volta por cima.
Em 2002, 11 anos após sua inauguração, o Beto Carrero World havia terminado de pagar todos os custos da sua construção. Isso significava que, dalí para a frente, todo dinheiro que entrasse, estava livre para ser reinvestido. E assim, o ano de 2003 chegou. E, com ele, o futuro dos parques no Brasil seria mudado para sempre.
Beto Carrero estava decidido a trazer de volta o sorriso para o rosto do seu público. Já nos primeiros dias podia-se perceber que havia algo diferente. Obras para todo lado, novas pinturas e calçamento. Um novo brilho surgia nos olhares das crianças até que em dezembro de 2003 era anunciada a mais nova e mais radical atração já vista no país: Big Tower, a maior torre radical do mundo. Um free-fall com 100 metros de altura onde os passageiros chegavam a 120 Km/h. Ainda hoje a Big Tower é a maior e mais rápida atração de um parque brasileiro.
A esta altura já se começava a criar no Brasil uma cultura de ir a parques de diversão, um hábito comum nos países europeus e norte-americanos. E todos os olhos do Brasil se voltaram para os comerciais do Beto Carrero World. E, justamente quando as pessoas começavam a pensar “Será que vale a pena mesmo?”, que a nova atração para a temporada de 2004 começava a ser construída: sob os gritos dos visitantes na Big Tower, se erguia, à beira de um lago, o Império das Águas.
Ao completar 13 anos, em dezembro de 2004, o Beto Carrero World inaugurou um dos mais belos river rapids do mundo. Com uma tematização impecável, de nível internacional, e água na medida certa, o Império das Águas veio para deixar claro que os outros parques teriam que se mexer se quisessem competir com o Beto Carrero. O Império das Águas não veio apenas como um river rapids, mas foi o marco que deixou claro para todo o mundo que o Beto Carrero World veio para ficar e caminhava para se tornar um dos melhores e maiores centros de lazer de todo o mundo.
E o ano de 2005 foi marcado por inúmeras reformas, deixando o parque cada dia mais colorido e bem tematizado. O 14º aniversário do parque, em dezembro de 2005, foi marcado pela inauguração do Castelo do Terror, uma parceria entre o parque e a Indiana Mistery, sucesso de público e crítica.
2006 começou com uma grande perda para os paulistanos: O Playcenter, um dos mais tradicionais parques de diversão do país, anunciou uma redução de seu terreno para cortar custos. A maioria das atrações foi relocada, mas uma parte da infância, não só dos paulistanos, mas de muitos brasileiros, a Montanha Encantada, foi fechada. E quando parecia não haver mais esperança, veio o anúncio: A Montanha Encantada havia sido comprada pelo Beto Carrero World e seria inaugurada na nova área infantil do parque.
A Triplik Land foi inaugurada no 15º aniversário do parque, em dezembro de 2006. Uma bela área infantil toda colorida, mas que não contava com a Montanha Encantada. Devido a atrasos na obra a atração, agora batizada de Raskapuska: O Mundo das Crianças, só chegou um pouco depois, mas foi também sucesso de público e crítica, marcando mais uma vez a indescritível habilidade do Beto Carrero World de fazer tematizações dignas dos melhores parques internacionais.
O 15º aniversário do parque trouxe também um presente inesperado para os visitantes: O anúncio de que, num futuro próximo, o parque teria 7 montanhas russas.
Isso mexeu com o Brasil. Sete? Não é muito para ser verdade? Muitos torceram o rosto alegando que o parque fazia propaganda enganosa. Até que em março de 2007 começaram a chegar as peças da primeira nova montanha russa: Dum Dum. Uma Brucomela que acabou sendo alvo de criticas por ser “apenas uma montanha infantil”. Mas, novamente, não se esqueçam que, em termos de Beto Carrero, nada é como estamos acostumados. E eis que o parque apresentou ao Brasil a mais bela montanha russa infantil já vista por aqui.
Logo em seguida, chegaram as peças de uma Vekoma Junior, a terceira montanha russa do parque. Mais uma vez, os pessimistas criticaram, dizendo que o parque traria 7 montanhas russas infantis. Mais uma vez o parque provou sua capacidade criar atrações boas e deslumbrantes para os olhos. A Montanha Tigor é, sem dúvida, um exemplo de beleza e arquitetura.
Mesmo assim, eram 3 montanhas russas. Para atingir sua meta, o Beto Carrero World precisaria mais que dobrar este número. De qualquer forma, o parque fechou o ano de 2007 com várias atrações novas: duas montanhas russas, a Raskapuska, o Carrossel Veneziano, o Kid’s Play, o Centro de Primatologia e o Show Acqua, sem mencionar várias outras atrações menores e reformas que foram feitas.
E entramos em 2008 com o pé direito. Além das três montanhas russas em funcionamento, o parque possui uma Galaxy e uma Jet Star II em reforma nas suas oficinas. E quando já estávamos felizes e achávamos que o mais poderoso parque temático do país aliviaria os investimentos, eis que chega a notícia: O Beto Carrero World havia adquirido duas novas montanhas russas: uma Arrow Dynamics com 3 inversões e uma Vekoma SLC, a primeira montanha russa invertida num parque fixo do Brasil. E tudo indica que o parque fechará 2008 com 6 montanhas russas, quase cumprindo sua meta. 6 sim, porque as reformas da Jet Star ainda devem demorar mais um pouco.
Mas então o que podemos esperar para 2009? Teremos apenas a Jet Star como a 7ª montanha russa ou virão por aí mais surpresas? Não se esqueçam que, em termos de Beto Carrero World, podemos esperar sempre ser surpreendidos. E, geralmente, vem coisa boa.
Uma coisa é certa, com as novas aquisições, o Beto Carrero World se confirma como o melhor parque temático do país e inicia uma nova era no Brasil, onde os parques daqui começam a se nivelar com os parques do exterior. O pioneiro dos parques temáticos no Brasil recupera sua coroa e lutará bravamente para mantê-la.
Revisão e edição: Lucaz Ferraz
Fotos: Lucaz Ferraz, Robert L. Jones e Beto Carrero World





















